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C6 Fest 2026: dois dias no Ibirapuera que provaram por que o festival é um dos mais importantes do calendário musical brasileiro


Na quarta edição do C6 Fest, o Parque Ibirapuera voltou a se transformar num dos pontos mais ricos da cena musical mundial. Durante os dias 23 e 24 de maio, o festival reafirmou o que já vinha construindo desde a primeira edição: uma curadoria precisa, que equilibra ícones consolidados, estreias no Brasil e nomes do underground que o grande público ainda está descobrindo — tudo isso num tamanho que favorece a experiência do fã. Veja abaixo alguns dos destaques desses dois dias.


Sábado, 23 de maio


A chuva forte que caiu ao longo da tarde de sábado não desanimou o público que, mesmo molhado,chegou cedo para a estréia da banda Horsegirl, que entregou um show simples mas que pareceu agradar à maioria do público.


Amaarae abriu a Arena Heineken num horário em que muitos festivais ainda estão esquentando os motores. A cantora ganesa-americana entrou com seu afrobeats e R&B contemporâneo e preparou o gramado para o que viria a seguir — com a elegância de quem sabe exatamente o que está fazendo num palco.


A substituição de Dijon, que cancelou sua participação semanas antes, por Mano Brown foi uma das melhores notícias do festival. O lendário rapper paulistano recebeu Rincon Sapiência no palco numa performance que misturava rap com uma atmosfera de festa disco, animando a Arena Heineken logo no início da noite e entregando um dos momentos mais brasileiros de um festival que tem o olhar apontado pelo mundo.


O BaianaSystem seguiu a lógica da energia crescente: percussão pesada, guitarra baiana e as participações de Makaveli e Kadilida fizeram o público entrar de vez no estado de transe que antecedeu o encerramento da noite na Arena.


Na Tenda MetLife, o sábado reservou dois destaques de peso. Baxter Dury fez sua aguardada estreia no Brasil aos 51 anos, apresentando Allbarone, seu álbum mais aclamado, um indie pop sofisticado que o filho de Ian Dury transformou numa assinatura inconfundível. A apresentação foi precisa, charmosa e deixou claro que sua chegada ao país demorou tempo demais.


Mas foi o Wolf Alice que transformou a Tenda MetLife no palco mais eletrizante do dia. Também em estreia no Brasil, a banda britânica entregou um show de rock intenso que revelou uma conexão imediata com o público brasileiro — o tipo de coisa que não se planeja, simplesmente acontece. Um dos momentos mais emocionantes foi "Lipstick on the Glass", música a qual os fãs fizeram coro nas redes sociais para que entrasse no setlist, e a banda acatou. O encerramento com "Don't Delete the Kisses" foi a prova de que o Wolf Alice precisa voltar ao Brasil o quanto antes.


O encerramento da Arena Heineken ficou com The xx, retornando ao Brasil após sete anos, numa noite carregada de expectativa. A sinergia entre Romy, Jamie e Oliver no palco mostrou que, independente dos projetos solos que cada um desenvolveu nos últimos anos, os três continuam funcionando como banda de um jeito que poucos conseguem. O setlist passeou pelos clássicos — "Intro", "I Dare You", "Say Something Loving" — e o ponto alto da noite foi Oliver Sim descendo do palco para dançar junto com a plateia. Um daqueles momentos que vão ficar marcados na memória de qualquer fã.


Domingo, 24 de maio


O domingo reservava parte dos shows mais aguardados da edição, e a programação cumpriu o que prometia.


Beirut foi um show enxuto, eficiente e emocionalmente certeiro. Zach Condon não precisa de muito para criar atmosfera — e quando os primeiros acordes de "Elephant Gun" começaram, o público que estava lá e que esperou 17 anos para cantar aquela música ao vivo junto com a banda não economizou em nada.


Oklou foi uma das surpresas mais agradáveis do festival. A produtora e cantora francesa lotou a Tenda MetLife com uma mistura de eletrônica experimental e livre instrumental que mostrou que o underground está dominando a cena de uma forma muito real. O que tornou o show ainda mais especial foi a presença da artista: ela falou com o público em português, lendo anotações num caderninho. Conquistou a sala antes mesmo de tocar a segunda faixa.


Lykke Li entregou um set mais sombrio e intenso do que muitos esperavam — e foi exatamente isso que tornou o show tão impactante. O sad pop da cantora sueca nunca esteve tão em alta, e ela soube conduzir o clima com precisão.


Robert Plant  encerrou a Arena Heineken com a autoridade de quem ajudou a inventar o rock e nunca precisou provar nada para ninguém. A presença de palco do ex-Led Zeppelin segue sendo inigualável — um dos espetáculos mais marcantes do fim de semana.


O encerramento do domingo ficou reservado ao C6 Lab, no Auditório Ibirapuera, com


Cameron Winter. Os ingressos para o show — vendidos separadamente da programação geral — esgotaram em três minutos. Com razão. O vocalista do Geese apresentou o repertório do seu aclamado álbum solo Heavy Metal num formato intimista: ele e um piano, auditório lotado, silêncio absoluto entre as notas. Elogiado por Nick Cave e comparado a Bob Dylan e Leonard Cohen pela crítica, Winter entregou um dos momentos mais densos e mais belos do festival inteiro.


Ao fim dos dois dias, o que fica é a sensação de assistir a um festival que, na sua quarta edição, já sabe muito bem quem é. O C6 Fest tem tamanho ideal, boa acústica, curadoria rigorosa e a capacidade de colocar num mesmo fim de semana rock, pop, underground e vários outros gêneros — e é por isso que o festival segue crescendo no calendário cultural brasileiro.


Veja abaixo alguns dos registros desses dois dias: 



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